“Parem de nos matar”: mulheres nas ruas de Foz do Iguaçu em defesa da vida

Mulheres protestam pela Avenida JK, no centro de Foz do Iguaçu, denunciando o feminicídio no país – foto: Marcos Labanca/APP-Sindicato/Foz

Panfletagem, conversa com moradores e ato na Praça da Paz integraram a mobilização contra a violência e por direitos.

O brado “parem de nos matar” ecoou pelas ruas de Foz do Iguaçu, durante ato público no Dia Internacional da Mulher, nesse domingo, 8. A mobilização teve como principais pautas o fim da violência de gênero, com o feminicídio, e a efetivação de direitos sociais e trabalhistas.

Mulheres de diferentes origens, movimentos sociais, sindicatos e feministas, coletivos e partidos políticos do campo progressista reafirmaram a necessidade de proteção à vida das mulheres e o fim de opressões estruturais.

Da concentração na esquina da Avenida JK com a Rua Quintino Bocaiuva, o movimento seguiu em marcha até a Praça da Paz, onde ocorreu o ato público. Na passagem pela tradicional Feirinha da JK, interlocução com os moradores e conscientização da sociedade.

A professora Maria Madalena Ames, da APP-Sindicato/Foz, celebrou a unidade das frentes políticas e a chegada de novas gerações. “Essa construção conjunta é fundamental para mostrar nossa força. Ver tantas jovens nas ruas traz a esperança de que a luta pelos direitos e pela vida continuará firme. Enquanto quem deve fazer a defesa das mulheres de Foz do Iguaçu dissimula o problema da violência, nós viemos às ruas para dizer: basta de violência, chega de assassinar mulheres”, cobrou.

Com mais de 30 anos de luta, professora Madalena Ames celebra a renovação das gerações na resistência contra o patriarcado – foto: Marcos Labanca/APP-Sindicato/Foz

O ato também deu visibilidade a realidades que enfrentam tentativas de invisibilidade. Representantes do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC) denunciaram a grave subnotificação da violência no campo. “Estamos aqui pelo fim da violência e da escala 6 x 1, mas também por dignidade e renda para as camponesas. Se no meio urbano os dados são assustadores, no campo a dor muitas vezes sequer vira estatística”, alertou a coordenação do movimento.

Cartazes pedindo o fim da escala 6×1, apontando a sobrecarga da jornada tripla imposta às mulheres – foto: Marcos Labanca/APP-Sindicato/Foz

Pelas mulheres privadas de liberdade, Andreia da Silva trouxe à tona o peso do preconceito e do abandono sofrido por aquelas que estão sob custódia do Estado. Primeira mulher da região a representar a realidade das detentas em Brasília (DF), ela reivindicou o direito de serem humanas e à participação social.

“Sinto orgulho de lutar por direitos que ainda nos são negados. As mulheres são constantemente diminuídas e rotuladas como o ‘sexo frágil’, sem que a sociedade reconheça nossa real importância. Por essa razão, faço questão de estar aqui, ocupando espaços e lutando por quem foi esquecida”, afirmou Andreia.

Andreia da Silva, pioneira na representação de mulheres privadas de liberdade, destacou a importância de ocupar espaços de luta – foto: Marcos Labanca/APP-Sindicato/Foz

Políticas devem ser efetivas

A importância do ato é evidenciada pelos corpos femininos que se tornaram ausências pela violência. Foram 1.568 feminicídios no Brasil em 2025 — o Paraná lidera na Região Sul. Desde a tipificação do crime em 2015, mais de 13,7 mil mulheres foram assassinadas pelo simples fato de serem mulheres.

O crescimento de 14,5% nos casos nos últimos cinco anos revela a falência de um sistema que não protege. As organizadoras cobraram políticas públicas contundentes e uma mudança de postura do público masculino. “Precisamos que os homens percebam que somos assassinadas todos os dias por homens. Não aceitamos mais o silêncio de quem diz não conhecer agressores”, pontuou a organização.

Trabalhar menos, viver mais

Além da segurança física das mulheres, o ato pediu o fim da escala 6 x 1. Nas falas, a denúncia de que a jornada de seis dias trabalhados para apenas um de descanso é ferramenta de exaustão que penaliza duplamente as mulheres, que são profissionais e ainda arcam com todo o trabalho doméstico e o cuidado das famílias, privando-as do tempo para si, da saúde mental e da dignidade humana.