
Com um dos piores salários do país, categoria denuncia abismo entre propaganda oficial e realidade nas escolas e pode deflagrar greve caso Ratinho Junior não atenda às reivindicações até o dia 20 de março.
A máscara da “melhor educação do Brasil” caiu na manhã desse sábado (14). Em assembleia estadual extraordinária on-line, professores e funcionários da rede pública estadual aprovaram a deflagração de greve, por tempo indeterminado, a partir do dia 23 de março. A decisão é um ultimato ao governador Ratinho Jr.: se até o dia 20 de março não houver uma proposta concreta que repare a dignidade financeira da categoria, as escolas do Paraná serão paralisadas.
A mobilização denuncia o abismo entre o marketing governamental e a realidade de miséria salarial. Enquanto o estado ostenta índices de desempenho, mantém o magistério com um dos menores salários iniciais do país, operando uma política de desvalorização deliberada que pune, especialmente, os servidores mais humildes e os aposentados.
“Ratinho Jr. faz propaganda com o esforço dos nossos educadores, mas nos paga os salários mais baixos do país. Ou o governo apresenta a equiparação e a data-base ou o Paraná vai parar. Não é apenas por dinheiro, é por respeito. Não aceitaremos que o governador continue nos tratando como servidores de segunda categoria, enquanto gasta fortunas para dizer que tudo está bem”, afirma Janete Batista, presidenta da APP-Sindicato/Foz
“Ratinho Jr. tem a caneta e o dinheiro. Nós temos a união e a verdade. Se não houver proposta até o dia 20, a responsabilidade pelas escolas fechadas será exclusivamente do governador”, conclui Janete.
Detalhamento das reivindicações: o que o governo esconde
A pauta da Campanha Salarial 2026 é técnica. O governo possui os estudos em mãos desde o início do ano, mas lhe falta vontade política para sancionar a justiça salarial.
Equiparação salarial imediata: é inadmissível que um professor paranaense receba R$ 4,9 mil iniciais, ao passo que no Mato Grosso do Sul o valor ultrapassa R$ 13 mil. A categoria exige a equiparação com a tabela dos demais servidores estaduais de nível superior (R$ 7,9 mil), eliminando a vergonhosa diferença de 37%.
Reposição da data-base (12,84%): o índice se refere à dívida acumulada de agosto de 2023 a abril de 2025. O governo Ratinho Jr. confisca o poder de compra dos trabalhadores ao não repassar a inflação.
Dignidade para os funcionários de escola: a reforma de 2023 foi desfigurada pelo governo na Alep. Exige-se a correção das tabelas para que nenhum agente educacional receba menos que os demais quadros do Executivo, além do enquadramento por tempo de serviço.
Fim do confisco das aposentadorias: a categoria exige que o desconto previdenciário incida apenas sobre o que exceder o teto do INSS (R$ 8.475,54). É preciso parar de tirar dinheiro de quem já dedicou a vida à educação.
Pagamento de direitos retidos: descongelamento imediato de quinquênios e anuênios, além do pagamento de promoções e progressões atrasadas.
Desigualdade salarial e silêncio do governo
“O relatório final já foi entregue ao governo. O documento aguarda apenas a decisão política do governador Ratinho Jr. para ser encaminhado à Alep. Precisamos que as deputadas e deputados aprovem uma lei específica que garanta a recomposição salarial também para quem se aposentou sem paridade”, destaca Walkiria Mazeto, presidenta estadual da APP-Sindicato.
A categoria também pretende denunciar a desigualdade salarial ao Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres e à Ouvidoria da Mulher da Alep, reforçando que a desvalorização do magistério atinge majoritariamente o público feminino.
Calendário de mobilização
A assembleia estadual permanece em caráter permanente:
16/3 (segunda): vigília da educação por justiça salarial em frente à Alep (Curitiba).
17/3 (terça): ato em defesa do serviço público no Palácio Iguaçu, cobrando a data-base de todo o funcionalismo.
20/3 (sexta): data-limite para o governo apresentar avanços. Caso não ocorra, será emitido o comunicado oficial de greve.
23/3 (segunda): início da greve geral da educação por tempo indeterminado.



