
Universidades, movimentos sociais e sindicatos convidam a comunidade para o diálogo nesta segunda-feira, 30, às 18h, na Câmara de Vereadores; documento irá nortear cobranças nas políticas públicas locais.
União de universidades, sindicatos e movimentos sociais e populares convida a população para a audiência pública sobre violência de gênero em Foz do Iguaçu e nas Três Fronteiras, nesta segunda-feira, 30, às 18h, na Câmara de Vereadores. A partir dos debates, será elaborado um documento apontando falhas e demandas nas políticas públicas municipais, endereçado aos órgãos governamentais.
A iniciativa envolve as organizadoras do 8 de Março na fronteira, o Dia Internacional das Mulheres, e as Promotoras Legais Populares da Fronteira (PLPs). Ocupar o Legislativo municipal visa a exigir ações concretas e efetivas no enfrentamento à violência contra as mulheres.
Violações e violências
A antropóloga e professora Danielle Araújo, da Unila, integrante da organização, destaca que a violência em Foz possui contornos específicos insistentemente ignorados pelo poder público. Ela denuncia que a estrutura municipal de acolhimento é ineficiente para uma cidade de fronteira.
“É inconcebível que um município com a riqueza e a dimensão de Foz do Iguaçu não disponha de um sistema sequer informativo bilíngue sobre onde recorrer em caso de violência. Onde a fiscalização falha, a violência corre solta, seja no caso da mulher migrante ou do violador migrante”, critica. “Vemos mulheres trabalhando em casas de segunda a sexta, sem poder sair sob o pretexto do trânsito da ponte. Isso é trabalho análogo à escravidão, e o poder público tem sido omisso”, complementa.
A docente ainda cita um retrato simbólico da desigualdade local: as mulheres da reciclagem que, por falta de vagas na educação infantil e apoio, levam seus filhos dentro dos carrinhos de coleta. “O carrinho da infância é o carrinho do papelão sujo. Isso diz muito sobre o valor que o município dá a essas vidas em contraste com o ‘cartão-postal’ das Cataratas”, frisa Danielle.
O papel das Promotoras Legais
O suporte técnico e humanizado da audiência vem das Promotoras Legais Populares da Fronteira (PLPs) . Atuando como projeto de extensão da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), o coletivo forma mulheres voluntárias para serem o braço de apoio direto em delegacias, incentivando a denúncia e combatendo o “deixa para lá”.
A professora Madalena Ames, da Marcha Mundial de Mulheres e da APP-Sindicato/Foz, reforça que a luta exige orçamento real e serviços que funcionem 24 horas, mas faz uma convocação direta: “Não aceitaremos que nossas mulheres continuem à mercê do medo. Convocamos os homens a abandonarem a omissão e assumirem sua responsabilidade no enfrentamento a essa chaga social”, salienta.
Construção de propostas
A audiência não será apenas um espaço de fala, mas de deliberação. As demandas coletadas darão origem a um documento oficial. Esse relatório de exigências será protocolado na prefeitura e na Câmara de Vereadores para cobrar políticas públicas, incluindo serviços com funcionamento 24 horas.
Organização
A mobilização é sustentada por uma unidade de ação que reúne: APP-Sindicato/Foz, Observatório de Gênero da Unila, Secafe/Deged (Unila), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Movimento de Mulheres Olga Benário, Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), União da Juventude Comunista (UJC), Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, Amefricanas e Marcha Mundial de Mulheres.
Audiência pública pelo combate à violência contra a mulher
Data: 30 de março
Horário: concentração às 17h30; início às 18h
Local: auditório da Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu



