Formação: educadores(as) devem promover os direitos humanos e combater violências

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Quarta etapa do Curso de Formação da APP-Sindicato/Foz aconteceu nesse sábado

A APP-Sindicato/Foz concluiu nesse sábado, 29, a quarta etapa do curso de formação. A ação continuada faz parte do Programa de Formação Política e Sindical mantido pela APP em parceria com a UFPR (Universidade Federal do Paraná).

O tema do módulo foi “Direitos humanos e direitos sociais no contexto da diversidade: combate ao racismo, LGBTIfobia, violência contra mulheres e juventudes”. Pela manhã, o jornalista e militante em Foz do Iguaçu Aluízio Palmar fez um relato histórico dos processos de luta sociais e políticas no Brasil.

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Educadores(as) da base da APP-Sindicato/Foz durante a quarta etapa do curso de formação.

Palmar reconstituiu os contextos de rupturas nas décadas de 1950 e 1960 (Getúlio Vargas e João Goulart), patrocinados por setores conservadores para retirar do poder governos com pautas progressistas. Ele comparou os golpes com o atual movimento das forças políticas de direita, que ameaçam a democracia e os direitos.

“O autoritarismo no Brasil tem raízes profundas em nossa história. A elite não admite que trabalhadores(as) tenham direitos”, enfatizou Aluízio Palmar. “Um candidato a vice-presidente nestas eleições quer acabar com o 13° salário. Olha a coincidência. No passado, diziam que esse benefício acabaria com a economia nacional”, pontuou.

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Aluísio Palmar: “A elite não admite que trabalhadores(as) tenham direitos”.

Diversidades

Transgênero negra e pesquisadora em Linguagem, Cultura, Gênero e Relações Étnico-raciais, Nicole Machado abordou direito humanos, diversidades e identidades de gênero. Ela situou os enfrentamentos e ativismos contra o histórico de racismo e preconceito principalmente contra mulheres negras e a população LGBT.

Ela discutiu questões de raça, classe e gênero. Enfocou o feminismo no processo de empoderamento das mulheres, suas particularidades no Brasil e em outros países, como nos Estados Unidos. “O lugar onde estamos na sociedade determina nossa interpretação de racismo e sexismo”, expôs. Nicole Machado defendeu ser necessário enfrentar o “racismo à brasileira, que nega a existência do racismo”.

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Nicole Machado: “O lugar onde estamos determina nossa interpretação de racismo e sexismo”.

Ela disse que há um processo de superação do conceito universal de mulher, mas que ainda é necessário lutar contra os estereótipos que servem ao machismo e ao sexismo. “Foi quebrada essa visão eurocêntrica de família nuclear, onde a mulher deveria ocupar um papel determinado pela sociedade. Gênero é uma construção social, reflexo da relação entre homens e mulheres”, frisou.

Violências e escola

A parte final da formação da APP-Sindicato/Foz foi conduzida pelo ativista Gilliard Martino, estudante de Artes e pesquisador em Estética e Marxismo. Ele dialogou sobre sexualidade, masculinidade e violências na escola contra alunos(as) LGBT.

Martino defendeu que as violências são fatores que afetam negativamente a frequência e o aproveitamento escolar dos(as) estudantes LGBT. Ele disse que o primeiro passo para enfrentar essa situação pelos(as) educadores(as) é identificar, compreender e reconhecer as múltiplas formas de violências no ambiente escolar.

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Gilliard Martino: “Educadores(as) devem contribuir para a construção de uma sociedade antirracista e antihomofóbica”. 

“Há a violência explícita e outras que são muito mais complexas, que estão nos campos simbólico e subjetivo. É preciso ainda entender e resistir à violência estrutural da sociedade”, elencou Gilliard Martino. Nas escolas, o primeiro passo é interpretar essas violências, para então sair do discurso e se adotar ações práticas para eliminá-las, destacou.

“Educadores(as) devem contribuir para a construção de uma sociedade antirracista, antihomofóbica e antimisógena”, ressaltou Gilliard. “Essas violências criam barreiras que negam a estudantes(as) o direito social à educação. As vítimas da violência na escola não têm o mesmo aprendizado e estão em desvantagem em relação aos(às) colegas”, refletiu.

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